8 francesas que mudaram a História

No Dia Internacional dos Direitos da Mulher, a França reforça seu compromisso com a igualdade de gêneros e relembra também os pioneiros e incríveis feitos de nossas compatriotas para tornar o mundo um lugar mais justo!

1. Olympe de Gouges: escritora, ativista e abolicionista

(7 de Maio de 1748 - 3 de Novembro de 1793)

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Olympe de Gouges exerceu papel protagonista nos agitados anos da Revolução Francesa, fazendo inclusive fortíssimas críticas ao movimento, por este não buscar também espaço e igualdade às mulheres. Em 1791, escreveu a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã - que desafiava o autoritarismo machista de época e a desigualdade entre homens e mulheres. Uma resposta clara e direta à Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, documento chave para o desenvolvimento dos Direitos Humanos no Mundo.

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Porque essa mulher entrou pra História: por se levantar contra a injustiça e ser considerada uma "traidora", Olympe foi executada em 1793, quando a Revolução passou pela conhecida Era do Terror. Apesar de não ter sido aprovada, a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã é vista como um dos primeiros manifestos feministas da História, servindo de base para a luta de direitos humanos realmente universais.

2. Marie-José Pérec: atleta e dirigente esportiva

Marie-José Pérec é um dos maiores nomes do atletismo mundial e uma lenda viva do esporte francês. Nascida em Guadeloupe, a corredora é a única atleta francesa tricampeã olímpica após conquistar ouro nos 400m rasos em Barcelona 1992 e nos 200m e 400m em Atlanta 1996. Hoje, dedica-se ao desenvolvimento de sua modalidade, para incentivar mais pessoas - sobretudo garotas - à prática da atividade física.

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Foto: France Olympique

Porque essa mulher entrou pra História: atualmente, é a única esportista (entre homens e mulheres) a conquistar o ponto mais alto do pódio nos 400m em dois Jogos Olímpicos consecutivos e possui o terceiro melhor tempo desta prova.

3. Marie Curie: cientista

(7 de novembro de 1867 - 4 de julho de 1934)

As conquistas científicas de Marie Curie incluem a Teoria da Radioatividade (termo que ela mesma cunhou), técnicas para isolar isótopos radioativos e a descoberta de dois elementos: o polônio e o rádio. Sob a direção dela foram conduzidos os primeiros estudos sobre o tratamento de neoplasmas com o uso de isótopos radioativos - cruciais para o desenvolvimento da área. A cientista fundou os Institutos Curie em Paris e Varsóvia (Polônia), que até hoje são grandes centros de pesquisa médica. Durante a Primeira Guerra Mundial, fundou os primeiros centros militares no campo da radioatividade.

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Porque essa mulher entrou pra História: Marie Curie foi a primeira mulher a ser laureada com um Prêmio Nobel e a primeira e única mulher a ganhar o prêmio duas vezes - e em dois domínios diferentes (física e química). A cientista também foi a primeira mulher a ser admitida como professora na Universidade de Paris. Em 1995, se tornou a primeira mulher a ser enterrada por méritos próprios no Panthéon de Paris - onde repousam as mais importantes personalidades históricas da França.

4. Simone de Beauvoir: escritora, filósofa e feminista

(9 de janeiro de 1908 - 14 de abril de 1986)

Pela sua obra prima, O Segundo Sexo, e também por seu relacionamento duradouro e aberto com o também filósofo Jean Paul Sartre, a pensadora Simone de Beauvoir foi considerada "fora dos padrões convencionais" para a sua época. Nos anos 1920, mesmo a academia ainda era reclusa e conservadora para ideias feministas e mais progressistas.

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Porque essa mulher entrou pra História: O Segundo Sexo, de 1949, se tornou um marco dentro do movimento feminista por abordar um assunto que não era abertamente tratado na França. O livro realiza uma complexa análise sobre o papel que é designado à mulher dentro da sociedade e sobre a construção do que é ser mulher, fazendo distinção entre gênero e sexo. A abordagem de Beauvoir estuda a hierarquia social do gênero masculino sobre o feminino: “A humanidade é masculina e o homem define a mulher não em si, mas relativamente a ele: ela não é considerada um ser autônomo”. Esse estudo foi o pontapé de diversas vertentes feministas que se debruçaram em buscar formas de resolver os problemas da desigualdade de gênero.

5. Simone Veil: política

(13 de julho de 1927 - 30 de junho de 2017)

Sobrevivente dos campos de concentração do Holocausto, Simone Veil foi a Ministra da Saúde que aprovou, em 1974, um projeto de lei que descriminalizou a interrupção voluntária da gravidez na França. Foi também a primeira mulher a presidir o Parlamento Europeu (1979-1982) e uma das primeiras mulheres a tornar-se membro do Conselho Constitucional da França, a mais alta instância do Poder Judiciário no país.

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Foto: ActuaLitté @ Flickr

Porque essa mulher entrou para a História: a Lei Veil ganhou seu nome e possibilitou um significativo avanço sobre a legislação sobre o aborto na França e no mundo - resultado de um movimento conduzido globalmente pelas feministas, baseando-se em vários argumentos: de que a ideia sobre o direito ao aborto relevava à mulher pelo direito a dispor do seu corpo; do fato que os procedimentos clandestinos se davam em condições sanitárias preocupantes e da ideia de que o acesso à contracepção seria insuficiente, pois não há nenhum método contraceptivo 100% infalível. Em 2018, se tornou a quinta mulher a ser enterrada no Panthéon de Paris.

6. Coccinelle, estrela de cabaré e pioneira na luta pelos direitos de mulheres trans

(23 de agosto de 1931 - 9 de outubro de 2006)

Jacqueline Charlotte Dufresnoy dava vida e interpretação à vedette Coccinelle. Nascida no corpo de um homem, ela foi a primeira celebridade francesa a mudar oficialmente de gênero, em 1958. A artista batalhou para que suas uniões civis com outros homens fossem devidamente reconhecidas pelo Estado francês - e que seu direito à adoção de crianças fosse também garantido. Na década de 1960, chamou atenção de todo mundo por ter seu casamento aceito pela Igreja.

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Foto: HuffPost FR

Porque essa mulher entrou pra História: a cantora e dançarina foi a primeira francesa trans a fazer carreira internacional, desafiando preconceitos de gênero em uma época onde a questão LGBTQAI+ não era discutida como é atualmente. Em 2017, sua existência inspiradora foi homenageada com o batismo de uma praça em Paris com seu nome - a frente de um dos lendários cabarés da capital francesa. A nomeação do local é vista como um avanço na mentalidade e como uma abertura para aprofundar o debate da questão trans.

7. Edith Piaf

(19 de dezembro de 1915 - 10 de outubro de 1963)

Essa a gente deixa se apresentar pela voz.

Porque essa mulher entrou pra História: uma das vozes mais conhecidas do mundo, Edith Piaf emocionou corações por toda a Terra e influenciou grande parte dos artistas de sua época. Tornou-se, principalmente, uma ponte para que estes se conhecessem, pois, geralmente, seu círculo de amizades famosas se encontrava em sua casa. Foi em sua residência que grandes nomes da música francesa tiveram o primeiro contato e em diversas vezes iniciaram maravilhosas parcerias musicais como, por exemplo, Gilbert Bécaud, Charles Aznavour, Jean Broussolle, Francis Lemarque, entre tantos outros, hoje também consagrados na história fonográfica da França e do mundo.

O filme que conta sua vida "La vie en rose", de 2007, rendeu um Oscar de Melhor Maquiagem e deu à francesa Marion Cotillard o Oscar de Melhor Atriz - primeiro prêmio da Academia dado a um papel interpretado em francês. A atriz também foi agraciada com outras importantes premiações, como o Globo de Ouro, o BAFTA e o César.

8. Suzanne Borel: diplomata

18 octobre 1904 -8 novembre 1995

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Foto: France Diplomatie

Em 1928, quando o Ministério das Relações Exteriores da França (MEAE, na sigla em francês) permitiu que mulheres também poderiam prestar concurso para uma carreira diplomática, Suzanne Borel decidiu seguir a profissão de seus sonhos. Após duas tentativas sem êxito, a candidata teve sucesso em 1930 - tornando-se a primeira francesa a fazer parte da rede de diplomacia do país, uma das mais importantes de todo o mundo.

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Foto: France Diplomatie

Como uma verdadeira guerreira, Suzanne enfrentou o preconceito dos funcionários do MEAE - que restringiram suas ações dentro dos serviços e até chegaram a pedir o cancelamento do decreto que a indicou para seu cargo. A diplomata permaneceu e exerceu diversas funções no Ministério, até a Segunda Guerra Mundial, quando se tornou membro de diversos grupos da Resistência Francesa contra a ocupação alemã.

Porque essa mulher entrou pra História: Suzanne Borel abriu as portas do Ministério para a paridade entre os gêneros na diplomacia francesa - hoje, a segunda maior rede de embaixadas e consulados do mundo. Atualmente, 50% do efetivo de agentes do MEAE é composto de mulheres. Nos cargos mais altos, a progressão continua. Em 2020, o ministério tinha 28,6% de embaixadoras do gênero feminino (contra 11% na taxa registrada 10 anos atrás). Até ano passado, as mulheres já estavam em 26% dos cargos de direção (contra 22% há 10 anos).

E a busca pela igualdade continua!

publicado em 08/03/2021

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