Cerimônia do Armistício de 11 de novembro em São Paulo [fr]

O armistício de 11 de novembro foi comemorado em São Paulo, como a cada ano, em uma cerimônia organizada no cemitério do Araçá. Na ocasião, o Cônsul Geral Brieuc Pont prestou homenagem a todos combatentes mortos no primeiro conflito mundial e aos mortos em operações exteriores desde 11/11/2018.

PNG

A cerimônia foi realizada com a participação de representantes consulares europeus, da Associação dos antigos combatentes e da Policia Militar do Estado de São Paulo.

PNG

Confira o discurso do Cônsul Geral Brieuc Pont nessa ocasião:

Comemoração do Armistício de 11 de novembro de 1918
Discurso do Cônsul geral
São Paulo, 11 de novembro de 2019

Senhores Conselheiros consulares,
Senhoras e Senhores Cônsules gerais,
Senhor Cônsul geral da Alemanha,
Senhor Proviseur,

Nós viemos diante deste monumento para homenagear nossos mortos, os de nossa comunidade, que deram suas vidas pela Pátria, deixando o Brasil para defender o solo sagrado de seu país, a França.

Esta cerimônia também é uma oportunidade de saudar a memória dos milhões de combatentes de todos os países lançados no inferno da guerra pelas forças do nacionalismo. Uma guerra cujo desfecho traz consigo as sementes de um segundo conflito mundial que levará a humanidade à beira do abismo. Essas sementes são as do Tratado de Versalhes, assinado no Salão dos Espelhos, lá mesmo onde em 18 de janeiro de 1871 fora proclamado o Império Alemão. Um tratado, portanto, sob o signo da revanche e não da reconciliação, símbolo hoje de uma guerra vencida, mas de uma paz perdida.

Uma guerra vencida à custo de

Mais de 18 milhões de mortos
Dentre os quais a metade civis
6 milhões de feridos e mutilados.
3 milhões de viúvas.
6 milhões de órfãos.
1 bilhão de granadas de canhão lançadas apenas no solo da França.

Sim, as feridas foram profundas.

O tempo passou e estamos coletivamente começando a compreender, escrever e reler a nossa história, para além das fronteiras de uma Europa doravante unida em torno de uma França e de uma Alemanha cuja amizade é o pilar da paz entre os Europeus.

As feridas foram tão profundas que foi preciso a coragem de homens clarividentes, de precursores como Briand e Stresemann, como De Gaulle e Adenauer, como Schuman, Hallstein e Monnet, para que nossas Nações finalmente voltassem as costas à guerra. Foi também necessário que um segundo conflito armado fosse deflagrado, impulsionado pela humilhação, pelo espírito de revanche, pela crise econômica e moral que alimentou a ascensão dos nacionalismos e dos totalitarismos. A guerra novamente, vinte anos mais tarde, veio devastar os caminhos da paz.

Nós sabemos, bem como Stefan Zweig e Paul Valéry, Primo Levi, Hannah Arendt e Ionesco, que as forças do nacionalismo, do totalitarismo e do obscurantismo ficam ocultas nas sombras quando não estão expostas à luz do dia. O sentido desta cerimônia é manter a memória daqueles que foram as vítimas civis e militares deste Leviatã: honrar nossos mortos, é também torná-los mensageiros para nossa juventude, para adverti-los diante dos perigos de nossa sociedade, de seus excessos, alertá-la contra a doce ilusão de uma história que estaria terminada.

Sim, a civilização é mortal. O conforto da democracia não é um bem adquirido; a liberdade se mantém, se defende. As lições do passado devem ser lembradas e aprendidas para entender melhor os perigos que nos ameaçam.

Como destacou o Presidente da República Emmanuel Macron, « a lição da Grande Guerra não pode ser a do rancor de um povo contra os outros, assim como a de esquecer o passado ». É por isso que, 101 anos após o fim da Primeira Guerra Mundial, nós continuamos a celebrar o Armistício de 11 de novembro de 1918.

O último soldado francês da Grande Guerra, Lazare Ponticelli, morreu no dia 12 de março de 2008. Com sua morte, o sentido e o significado simbólico da comemoração desta data histórica evoluíram. Ela também se tornou um dia de homenagem a todos os que foram « Mortos pela França », sejam civis ou militares, tenham eles perecido em conflitos contemporâneos ou em conflitos mais antigos. Prestamos homenagem, em especial, aos combatentes mortos em operações externas. Neste dia de recolhimento, as cerimônias anuais de 11 de novembro também homenageiam os militares que morreram pela França ao longo do ano decorrido.

Do Sahel ao Eufrates, onde quer que seja necessário e sempre no âmbito do direito, os exércitos franceses continuam a lutar por nossa liberdade e nossa segurança, a dos Franceses, mas também dos Europeus. Seus mártires, nossos mártires, juntaram-se à legião eterna que, talvez, olhe por nós, mas cuja memória do sacrifício nos obriga e deve perdurar. Eles são seis, tombados no campo da honra, mortos em operações externas no Líbano, Mali e Burkina Faso, desde 11 de novembro de 2018.

Mortos pela França e falecidos em operações externas

Desde o 11 de novembro de 2018

Brigadier-chef Karim EL ARABI
Maître Alain BERTONCELLO
Maître Cédric de PIERREPONT
Médecin Capitaine Marc LAYCURAS
Brigadier Erwan POTIER
Brigadier-chef Ronan POINTEAU

Ouviremos agora, como em todas os municípios da França, a lista de nossos compatriotas que morreram durante a Primeira mundial e, após o toque em homenagem aos mortos, observaremos um minuto de silêncio e entoaremos juntos « La Marseillaise ».

Eu agradeço a todos./.

Fotos: Luis Deutsch / MEAE

publicado em 12/11/2019

início da página