Cônsul Geral celebra Festa Nacional de 2018 em SP [fr]

Na ocasião da Festa Nacional francesa, o Cônsul Geral Brieuc Pont organizou uma recepção especial na Residência da França neste 14 de julho de 2018, reunindo a comunidade francesa, autoridades, empresários, executivos, imprensa e amigos da França.

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O 14 de julho é a oportunidade de celebrar a República e os valores da França, orgulhosa de seus ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. A festa desse ano destacou a inovação das empresas francesas e a influência de suas start-ups, sempre ágeis em responder aos desafios da atualidade produtiva. O evento também notavelmente apresentou novidades em realidade virtual e o "Fab Lab", verdadeiros exemplos da revolução industrial.

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O Cônsul Geral Brieuc Pont dedicou um agradecimento especial ao conjunto de empresas parceiras e patrocinadoras, francesas e brasileiras, que tornaram a noite possível graças ao seu apoio. Os grupos franceses são os primeiros empregadores estrangeiros no Brasil e representam uma forte presença econômica no país.

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Confira abaixo o discurso do Cônsul Geral Brieuc Pont, proferido durante a cerimônia:

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Senhor Ministro, caro Gilberto Kassab,

Senhor Embaixador, Chefe da delegação da União europeia no Brasil, caro João Cravinho,

Senhor Secretario de Relações Internacionais da cidade de São Paulo, Caro Affonso Massot,
- aproveito a ocasião, caro amigo, para cumprimenta-lo pela nomeação esta semana ainda : a cidade de São Paulo ganha um grande Embaixador como responsável desta pasta,

Senhor Secretário municipal de Obras e serviços, nosso caro amigo Vitor Aly,

Senhores Conselheiros consulares,

Caros amigos embora colegas Cônsules Gerais,

Caros compatriotas e amigos da França no Brasil,

Quando eu era ainda um jovem diplomata, lotado nos Estados Unidos, meu ja experiente embaixador me perguntou por que eu proferia meus discursos em inglês.

"Se eu os proferir em francês, senhor Embaixador, ninguém os entenderá", eu respondi na época.

"Entender os seus discursos ? Você acha isso realmente necessário?", retrucou ele.

No ano passado, eu corri portanto um grande risco. O de ser compreendido em 14 de julho. No entanto, vocês estão vendo, eu ainda estou com minha cabeça sobre os meus ombros. Eu não fui decapitado. Esta é uma tradição que ja foi em tese abandonada ha algum tempo.

Eu vou, então, voltar a correr esse risco, que vale a pena pela felicidade renovada de reencontrá-los nesta ocasião do 14 de julho e me expressar... em português.

2018 é um ano especial em muitos aspectos. É um ano de comemorações. É claro que nós esperamos que seja a ocasião de celebrar uma segunda estrela na camisa da seleção francesa de futebol. Nós celebraremos também o vigésimo aniversário da primeira estrela, daquele prodigioso dia de julho de 1998, quando a França colocou as mãos em uma alegria compartilhada, uma identidade serena, generosa, na diversidade que faz sua riqueza.

Temos muito que comemorar em 2018, 50 anos depois de 1968 e seus ventos de liberdade que sopraram sobre o mundo, dos guetos americanos às ruas de Praga, passando pelos bancos da Sorbonne; 60 anos após a refundação da nossa República, na inspiração do General de Gaulle.

Mencionando 1958 não vou falar de futebol aqui no Brasil, com aquela memorável vitoria da seleção na Suécia... São também os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o centenário do fim da Primeira Guerra Mundial, mas também os 170 anos da Primavera dos Povos, que em 1848 atravessou a Europa e derrubou muitos tiranos, abrindo o caminho para a democracia moderna, o voto das mulheres, os direitos sociais, e sim: o direito contra a arbitrariedade, dando continuação ao movimento iniciado en 1789.

A riqueza desse percurso, meus caros compatriotas, meus caros amigos da França, é o que faz nossa força coletiva de franceses e francófilos. A França, antes de ser um território, é acima de tudo uma ideia. “Todo homem tem duas pátrias: a dele e logo, a França”, proclamou Thomas Jefferson no dia seguinte da Batalha de Yorktown. Esta pátria é a do universalismo, da liberdade, da igualdade, da fraternidade, da laicidade. E a pátria de Victor Hugo e Emile Zola, dos resistentes Jean Moulin e Pierre Brossolette, de Jaurès, de Malraux, de Voltaire e de Rousseau, de Felix Eboué e de Victor Schoelcher, de Marie Curie... Eles são os heróis da nossa República, desta idéia que se chama França, e repousam todos em Paris, em seu Panteão.

Uma mulher se juntou a eles há alguns dias. Este 14 de julho é uma ocasião de oferecer um pensamento a ela. Sobrevivente dos campos de extermínio, combatente da memória do Holocausto, ativista da reconciliação e da amizade franco-alemã, caro Axel Zeidler, da causa europeia, caro João Cravinho, dos direitos das mulheres e de sua liberdade de dispor do próprio corpo.

Simone Veil, e eu cito aqui o Senhor Presidente da República, "foi esse
batedor que avança sozinho para a tomada de Bastilles consideradas inexpugnáveis e que, contudo, a toma, para oferecê-la em partilha, a nós que não acreditávamos que isso seria possível, ou que por indiferença permitimos por vezes que o escândalo prosperasse”. Mas, lembremo-nos que as batalhas de Simone Veil são vitórias efêmeras, cujas conquistas nunca são certas. Elas nos impõem uma vigilância permanente de nossa parte, porque ainda é fértil, nos lembra Berthold Brecht, o ventre do qual emergiu a besta-imunda.

A besta-imunda apareceu entre nós, novamente, no último dia 23 de março, não longe de Carcassonne, no sul da França. O espírito de resistência encarnado por Simone Veil, por Brossolette, Moulin e seu exército de sombras despertou. O Coronel Arnaud Beltrame ofereceu sua vida a um terrorista cujo nome deve ser esquecido, em troca de outra. O cumprimento de sua missão se moveu em sacrifício final. Então, como disse com tanta razão o Chefe de Estado, "todos nós, Franceses, trememos com uma emoção singular. Um de nós tinha acabado de se levantar, direito, lúcido e corajoso”.

A obra de Simone Veil e o sacrifício do Coronel Beltrame nos lembram do dever de memória: ele é o cimento da nossa sociedade, sem o qual não podemos resistir. Eu peço a vocês esta noite que tenham uma lembrança para todos aqueles que foram vítimas dos inimigos da liberdade, e para todos que tombaram ao enfrentá-los. Dos maquis da França resistente ontem ao deserto do Sahel hoje, onde nossos soldados lutam contra o obscurantismo religioso ao lado de nossos aliados africanos. Eles merecem todos nossa estima.

Nenhum país, nenhuma comunidade está a salvo dessa ameaça, nem mesmo o Brasil, Senhor Ministro. Em todos os lugares, o espírito de resistência deve se afirmar, contra essa injustiça que só o ser humano pode sentir e combater, contra o totalitarismo, o autoritarismo, filhos do populismo e das desigualdades.

Para o Brasil, esta terra adorada dos muitos Franceses que vivem aqui, cuja história conhecerá uma etapa especial neste ano, a França espera que continue sendo uma terra generosa e aberta, onde cada um possa, em liberdade, em ordem e progresso, continuar em seu caminho rumo a uma sociedade cada vez mais justa e fraterna.

As empresas francesas, numerosas no Brasil onde elas são o primeiro empregador estrangeiro no país, participam desta aventura. O governo francês, com elas, acredita no potencial inigualável deste colosso que não é apenas um vizinho, mas também o amigo da França. E por esta mesma razão que o Sr. Presidente da Republica, decidiu atribuir neste 14 de julho, a condecoração de Chevalier de la Légion d’Honneur ao Senhor Francis Repka, dirigente da Société générale, pelo apoio decisivo fornecido à renovação da praça do Largo do Arouche.

Mas a nossa ambição para o Brasil vai além. Ela está na medida de sua potência, e é com orgulho, caro Gilberto Kassab, que nós levamos adiante o projeto de Grande Lycée Pasteur com o objetivo de oferecer juntos a este país, pelo centenário do ensino do francês no Brasil, em 2023, sua melhor escola internacional. Este projeto ja esta se tornando realidade e que será em breve tanto o orgulho dos Franceses quanto dos paulistanos.

A escola, a educação, como sabemos, são a base da prosperidade e da justiça. Eles dão aos futuros cidadãos, em um mundo onde cada informação deve ser sistematicamente verificada, as ferramentas necessárias para que viva a democracia. Sem liberdade de expressão, sem liberdade de informação, não pode haver democracia ou Estado de Direito. Não é surpreendente que neste contexto, em todos os lugares do mundo, os jornalistas sejam um dos principais alvos dos inimigos da liberdade.

Caros amigos,

Eu agradeço a paciência de vocês, eu duvido muito que o motivo de sua presença hoje seja apenas para ouvir o meu discurso.

Eu gostaria de aproveitar esta última oportunidade para saudar seis personalidades que deixarão a equipe do consulado nas próximas semanas.
O senhor Nicolas Masson, Diretor de Serviços Aduaneiros, que continuará sua incansável luta a serviço da Lei nos departamentos franceses para as Américas. A personalidade calorosa de Nicolas e de sua esposa Hélène deixarão muita saudade.

Também gostaria de saudar o capitão Carlos Fabião, da nossa policia nacional, o senhores Jacky Caillier, da Campus France, Olivier Debray, da Alliance française, Frédéric Frament e Gérard Perrier, pilares do serviço cultural a serviço da francofonia e da ciência e das tecnologias, que retornarão à Europa em poucas semanas.

Como não agradecer também as empresas que tornaram possível esta noite festiva. Nós nunca teremos como agradecer o suficiente. Estou pensando na rede Accor de hotéis, cujas equipes receberam todos vocês esta noite, Aigle Azur, que desde o dia 5 de julho conecta Campinas ao aeroporto de Paris-Orly; Air France, é claro, cuja tripulação que passará a noite hoje em São Paulo eu tenho o prazer de receber aqui entre nós. Podemos contar, como todos os anos, com as equipes da Chandon, mas também da Pernod Ricard, dos vinhos Calvet e seu distribuidor Cantu, com o recém-chegado em São Paulo, 3 Brasseurs. Eu acho que a Sanofi fabrica aspirinas, o que pode ser útil amanhã de manhã. Haverá distribuição de café Nespresso no final da noite. Nesta noite dedicada à inovação, a Ubisoft permite nesta noite que você entre na pele de um revolucionário francês, ou que mostre seu talento de expressão artístico no estúdio Just Dance. Convido também a testar a realidade virtual da Peugeot ou a ir admirar o novo 5008 que ocupa a minha garagem neste ano.

Agradeço o BNP Paribas, a Câmara de Comércio França-Brasil. Obviamente, a gastronomia faz parte do encontro com a All Foods, a France Panificação e nossos amigos do Grand Hyatt São Paulo. E obrigado também a GL Events, a R1 pela cenografia e Deezer pela música, obrigado às 30 empresas cujos nomes estão atrás de mim e sem os quais esta noite não poderia ter acontecido.
Em poucos minutos, ouviremos a apresentação do grupo Quartier Latin.

Mil agradecimentos enfim à Nicolas et Erica, da minha equipe, que foram os incansáveis coordenadores deste evento, com o apoio da equipe do consulado, em particular Izabela, David e todos os que prepararam os brindes que os aguardam na saída.

Uma última palavra para agradecer em especial a presença de vocês. Atores econômicos, atores culturais, a serviço do Estado como das empresas, amigos da França, funcionários públicos e jornalistas, mas todos franceses ou francófilos, nós fazemos viver no Brasil, juntos, os valores que nos unem.

Antes de entoar com vocês a Marseillaise, o hino do Brasil e o Hino à Alegria de nossa querida União Europeia, em uma versão um pouco tropicalizada, tenho apenas mais uma mensagem para vocês :
Vive la République, Vive la France et Allez les Bleus !

publicado em 20/07/2018

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