Discurso em ocasião da comemoração da Festa Nacional Francesa de 14 de julho de 2017 [fr]

Discurso em ocasião da comemoração da Festa Nacional Francesa de 14 de julho de 2017

Prezada Embaixadora Debora Vainer Barenboim Salej,
representando hoje o governo federal,
Prezado Secretário municipal representando o Prefeito de
São Paulo, caro Marcos Penido,
Senhoras e senhores Cônsules gerais e representantes do
corpo consular,
Senhores Presidentes do Conselho e da Direção da Aliança
francesa, caro ministro Renato Janine Ribeiro
Messieurs les Conseillers consulaires,
Caros amigos da França no Brasil,

Mes chers compatriotes,

Sejam todos bemvindos na residência da França, onde recebo vocês com muito prazer para meu primeiro 14 de Julho como Cônsul geral em São Paulo.

O 14 de Julho é uma data especial para a França : é nossa festa nacional. O que comemoramos hoje? A queda da Bastille em 1789, que simboliza o início do fim da
monarquia, o fim do arbitrário, a liberação de um povo que resolve tomar conta do seu destino, dando inicio a uma onda de forças que irão mudar o mundo após o século das Luzes que iluminou as Nações e acelerou a queda da tirania. Foi esse Século das Luzes que inspirou os heróis libertadores deste continente que levariam a América latina até a Independência. A história destes ideais e dos homens que as usaram como arma para conquistar a liberdade unem a França e as Américas para a eternidade.

Mas no 14 de Julho, poucos sabem, nós não comemoramos apenas a queda da Bastille. Comemoramos também a Festa da Federação do 14 de Julho de 1790, que consagrou a Nação à traves a reconciliação e a unidade de todos os Franceses.

Como disse o Presidente da República francesa hoje, no coração de Paris : « hoje, comemoramos o que nos une, este amor absoluto da independência que chamamos Liberdade ; esta ambição de dar a todos uma chance, que chamamos Igualdade, esta determinação de não deixar ninguém de lado, o que chamamos Fraternidade ».

Sim, a França quer ser um país orgulhoso dos seus valores, voltado para o futuro sem esquecer a riqueza e as provas do seu passado, dentro de uma Europa unida e solidária, fortalecida pela sua diversidade. Uma Europa protetora e generosa, animada pelos ideas universais que seus povos promoveram.

Caros amigos, o 14 de Julho, é a festa das luzes azuis, brancas e vermelhas, dos bailes populares, dos fogos de artifício. Mas o 14 de Julho não sempre foi uma festa alegre. Um ano atrás, nesta mesma hora, a França estava parada no estupor. Um ano atrás apenas, a França, na sua festa nacional, foi atacada em Nice da mais cruel das maneiras. Um bárbaro cujo nome não deve ser pronunciado nunca mais, um covarde, um assassino mandado por uma organização que nem é Estado e sequer islâmico tirou a vida de 86 pessoas e deixou 400 feridos, de mais de 29 países. Duas Brasileiras perderam a vida nesse ataque selvagem : Elizabeth et Kayla Cristina de Assis Ribeiro. Elas nunca serão esquecidas.

A França, desde então, está erguida. Nosso inimigo mortal, o do obscurantismo religioso, o monstro horroroso dos tempos modernos, está recuando. Gostaria em este momento de ter um pensamento pelos nossos militares e policiais, que na França, como no Iraque, na Síria e no Sahel, o combatem com êxito.

A França, desde então, está erguida mostrando que, mesmo ferida na pele, não ia ceder ao ódio, às forças do nacionalismo, do populismo, da exclusão. A França mostrou que ela podia continuar sendo um símbolo de esperança, esta França querida baixo todos os céus que levou o Thomas Jefferson a falar : « cada homem tem duas pátrias : a dele e a França ».

Hoje, nós Franceses do exterior, somos muitos a perceber, um pouco surpreendidos, um pouco pasmados pela renovação política tão profunda como inesperada de nosso país, que os olhares do mundo estão voltados para nós e nosso novo Presidente da República. Precisamos estar cientes disso, sem orgulho exagerado. Estes olhares nos obrigam, e a França pode contar com cada um dos seus, com cada um de vocês, caros compatriotas, para continuar a promover um modelo fundado no progresso econômico e a justiça social. Ao serviço da França e da sua comunidade nesta maravilhosa região do Sudeste e do Sul do Brasil, percebo todo dia que é neste espírito que nossa comunidade humana e as empresas expressam aqui sua diferença e particularidade : investindo-se na vida do país com amizade profunda, e muitas vezes até com paixão para participar na ascensão desta jovem, porém colossal Nação que nos recebe de braços abertos. Tenho muito orgulho que as empresas francesas sejam o primeiro empregador estrangeiro do país.

Tenho muito orgulho que o Brasil seja campeão do mundo dos empregos gerados pela economia francesa. Somos apenas 22 000 Franceses no Brasil, a metade em
São Paulo e no Sul do Brasil. Mas a través de nossas 850 empresas, das quais 550 baseadas em São Paulo, mostramos a nossa grande compatibilidade cultural com o povo brasileiro, aberto e generoso. As nossa empresas erguem nossos valores, apoiando vários projetos, uma agenda positiva, animada por um espírito de responsabilidade social : estou pensando por exemplo no apoio exemplar dado à ONG Arca do Saber cuja Presidente foi nomeada hoje na Ordem Nacional da Legião de Honra
pelo Presidente da República, estou pensando na mobilização pela formação e capacitação profissional, pela juventude, pela saúde pública, e o apoio aos que mais o precisam no Brasil. Nossas empresas investem na vida da cidade e é com orgulho que destaco, diante dos representantes da Prefeitura de São Paulo, Senhor Secretário municipal, caro Marcos Penido, caro Embaixador Massot, que a nossa comunidade é a que respondeu com maior generosidade ao chamado do Prefeito de São Paulo, com mais de 6 milhões de reais investidos em projetos municipais. Gostaria de agradecer em particular os senhores Roland de Bonadona e Francis Repka, que não pouparam esforços para encarar este desafio. Assim, graças às suas empresas, a França vai entre outros oferecer aos Paulistas um projeto de revitalização do Largo do Arouche que vai transformar esta praça descuidada em um verdadeiro ponto turístico, preservando ao mesmo tempo sua identidade, baseada na diversidade, o compartilhamento e a tolerância.

Dessa generosidade, nós nos beneficiamos hoje mesmo. Carrefour, Sanofi, Renault, Chandon, Air France uniram suas forças, com a ajuda preciosa da Diamant Productions, para nos oferecer esta recepção. Eu estava falando sobre o século das luzes, estas de hoje à noite nos são oferecidas por Blachère Illumination. Para a gastronomia, estamos contando com a participação do excelente Patrick BRAGATO na cozinha hoje à noite, com sua empresa VYA FOODS, os queijos da AllFood, os vinhos Calvet via Cantu, a pâtisserie do hotel Grand Hyatt, liderada pelo nosso compatriota Yann Gillet, os macarons Paradis, os saborosos pães da France Panificação, os croissants d’Etienne, há também saladas Bratatouille e o bar de frozens Busca Vida (bebam com moderação). Se vocês temerem os efeitos da ressaca, podem começar cuidando da cabeça e dos cabelos com Circus coiffeur ou desfrutar de um café llly no fim da noite. Eu destaco que uma empresa italiana apoia a festa nacional francesa, espero que o meu colega italiano, querido Simone Panfili, nos perdoará. Também não me esqueço da Câmara de Comércio França Brasil, que agradeço pelo apoio.

Depois, temos as empresas, é claro, mas também temos os serviços públicos, os serviços do Estado. Somos 1.300 em todo o Brasil para dar o nosso apoio à influência da França. Este número elevado mostra como o Brasil, um parceiro estratégico da França, é importante para nós. Aproveito esta oportunidade também para agradecer a todos os agentes do Estado, operadores públicos, Business France, Atout France, Campus France, da Agência para o Ensino do Francês no exterior e da Aliança Francesa. Alguns
particularmente merecem os nossos agradecimentos especiais, pois vão partir para outras terras, como o nosso Embaixador Laurent Bili que retorna a Paris dentro de uma semana para assumir as rédeas da direção geral de globalização do Ministério das Relações Exteriores. Tenho um pensamento especial para Fabiano Freitas, que deixa o
Consulado após 35 anos de bons e leais serviços, para Thibault Samson, sem duvida o mais brasileiro de todos os diplomatas franceses, para Sandra Fernandes, chefe do
serviço cultural do consulado, para Julien Guillard, nosso contador recém promovido, e Benoit Trivulce, o chefe flamboyant da Business France.

Sim, a nossa história no Brasil é antiga. Muitas vezes lamentamos, diante da beleza deslumbrante deste país, que os projetos coloniais sombrios de nossos antepassados tenham falhado: a França Equinocial em Sao Luis do Maranhão, a França Antártica de Villegagnon no Rio de Janeiro ... mas com o tempo, nós sem dúvida entendemos que é melhor conquistar os corações ao invés das terras. O Brasil é imensamente popular na França. Não há uma cidade que não tenha o seu restaurante brasileiro, aulas de capoeira ou até mesmo suas batucadas. Não há um dia em que os meios de comunicação não relatem a extraordinária riqueza deste país. Por outro lado, eu sei que a França, que é também o seu vizinho do outro lado do Oiapoque, também é cara ao coração dos brasileiros. Nós estamos vendo um retorno de nossos amigos Tupiniquins a caminho de Paris com um aumento de 28% em um ano das viagens turísticas para a França. O número de jovens brasileiros que saem para estudar na França aumentou
acentuadamente desde o início do ano. Além disso, a mania é tamanha que podemos dizer agora que se você não vai para a universidade francesa, a universidade francesa vem até você! Assim, há alguns dias eu que tive o prazer de participar da formatura e entrega de diplomas da primeira turma de formandos em Direito Francês da Universidade de São Paulo. Talvez os espíritos de Fernand Braudel e Claude Lévi-Strauss, estejam flutuando em torno de nós esta noite? De qualquer forma, aqueles que estão presentes hoje são os jovens graduados desta vanguarda de juristas francófonos e francófilos, que convidei esta noite juntamente com seu professor, o admirável Fernando
Menezes, para os quais peço uma calorosa salva de palmas.

Sim, os corações são conquistados através da educação. A nossa comunidade possui uma bela escola, o Liceu Pasteur, que formou gerações de paulistanos. Nós constatamos, com nossos parceiros brasileiros da Fundação - eu saúdo aqui a presença dos seus responsáveis entre nós, incluindo o senhor Marcelo Manhães, Claudio e Renato Kassab – que poderíamos ir ainda mais longe e dar a esta cidade tão rica em sua diversidade, uma instituição a sua altura. É por isso que temos a ambição, unindo as forças de ambas as instituições da ruas Vergueiro e Mairinque, de oferecer a São Paulo, com o apoio do governo francês, dentro de 15 anos, simplesmente a melhor escola do Brasil, a um preço acessível, com uma capacidade de quase 2.000 alunos e um acesso de alto nível para as melhores universidades brasileiras, francesas e do resto do mundo. Este é o nosso projeto. Ele é ambicioso. Hoje à noite, diante deste anúncio que faço para vocês, permitam-me um pensamento para o meu pai, Christian PONT, que foi diretor do Lycée Vergueiro de 1989 à 1995 e trabalhou lado a lado com Pedro KASSAB, seu pai, queridos Claudio e Renato. Talvez juntos lá em cima, eles continuem a sonhar com o futuro brilhante da França no Brasil. Nós, aqui embaixo, estamos trabalhando. Em time que está ganhando, não se mexe !

Meus caros amigos,

Concluo este demasiado longo discurso com algumas palavras de encorajamento e otimismo. O Brasil atravessa tempos difíceis. Sua economia está lutando para se
recuperar de uma crise política sem precedentes em sua história. No entanto, nós, Franceses, temos confiança no seu futuro. Nós nunca deixamos de acreditar neste país, que ainda embora não comemorou seus duzentos anos tem um povo que demonstrou uma resiliência exemplar. Ele passou pela crise com as virtudes que nós conhecemos
bem e que lhe dão a coragem de enfrentar os desafios da boa governança, a força para continuar o seu trabalho de recuperação, de se abrir ainda mais até se reformular para melhor produzir, melhor investir em educação, infraestrutura, saúde, para emergir de forma sustentável como uma potência não só mais rica, mas também mais justa. Nesta aventura, França permanece como ela sempre esteve, ao seu lado.

Então, antes de ouvir nossos hinos nacionais e ouvir a apresentação muito Franco-Brasileira de nosso amigo Aymeric Frerejean, eu lhes digo:

Vive le Brésil, Vive la République et Vive la France !

publicado em 20/07/2017

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