França quer ’bolsa de valores’ verde para atenuar prejuízo climático

Anúncio veio em comemoração aos 2 anos do Acordo de Paris e coloca a França como protagonista das questões climáticas.

[Via ValorEconômico]
O presidente da França, Emmanuel Macron, promoveu nesta terça-feira (12) uma cúpula para celebrar os dois anos da assinatura do Acordo de Paris e colocar o dedo na ferida da discussão mais desafiadora sobre o clima: como financiar a transição para uma economia de baixo carbono, mais verde.

Com a presença de chefes de Estado da Europa e da África próximos à diplomacia francesa, um membro do alto escalão do governo chinês, além de personalidades e uma delegação americana com figuras como Arnold Schwarzenegger, o atual governador da Califórnia Jerry Brown e o ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg, o evento apostou em uma mensagem política que desafia a posição americana de abandonar o Acordo de Paris e coloca a França como protagonista das questões climáticas.

Entre as dezenas de anúncios empolgantes, estão fundos de adaptação ao clima e de compensação por desastres climáticos regionais, investimentos em tecnologias e negócios de baixo carbono.

Um anúncio do Banco Mundial empolgou analistas por sua concretude: a organização se comprometeu a atribuir um preço (taxa) de 40 dólares por tonelada de carbono emitida nas atividades que financia.

A medida, conhecida como precificação de carbono, visa desencorajar economicamente as emissões das atividades econômicas.

Precificação positiva

Como alternativa à taxação, o governo francês está considerando a "precificação positiva" de carbono, que incentiva as atividades que reduzem as emissões de carbono ou o capturam, como negócios do setor florestal e de energias renováveis.

Há um mês, a presidência francesa encomendou um estudo a um grupo de renomados economistas (entre eles o Jean Charles Hourcade e Dispak Dasgupta), conselheiro do Fundo Verde do Clima.

O grupo deve entregar no primeiro semestre de 2018 uma proposta para alavancar a precificação positiva.

A reportagem do Valor teve acesso à primeira versão da proposta, que reúne argumentos e recomendações para alavancar um mercado de incentivos à economia de baixo carbono.

A proposta atribui valor financeiro à redução de emissões, criando para isso Certificados de Redução de Emissões, que valeriam como uma nova moeda, podendo ser negociados no mercado de ações.

Para funcionar, a nova moeda dependeria de um "fundo garantidor" estatal, uma espécie de fiador que daria credibilidade ao novo mercado.

publicado em 15/12/2017

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