Leila Slimani participa de debate no Tomie Ohtake em SP [fr]

Premiada com o Goncourt, o Nobel da literatura francesa, escritora franco-marroquina Leila Slimani fala sobre seu segundo livro, "Canção de Ninar".

[Via Marie Claire Brasil]

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Autora do romance mais vendido da Festa Literária de Paraty (Flip) neste ano e uma das estrelas da programação, a escritora franco-marroquina Leila Slimani veio a São Paulo para um evento na última segunda (30/7), no Instituto Tomie Ohtake, discutir o polêmico e premiado, Canção de Ninar (ed. Planeta, 192 págs., R$ 42), livro no qual a babá de um casal burguês mata as duas crianças que deveria proteger. O evento foi promovido pela editora Planeta, com apoio de Marie Claire, o próprio Tomie Ohtake, Embaixada da França no Brasil e Institut Français do Brasil, Flip e Grupo Mulheres do Brasil.

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No encontro, Leila explicou que seu objetivo ao longo da obra foi desvendar os motivos que levaram uma babá a um ato tão extremo. "A Louise é uma pessoa que foi machucada internamento até o momento em que não aguentou mais a humilhação e a miséria", considerou.

Para ela, há uma violência implícita na relação entre a empregada e os patrões. "Uma coisa que quis mostrar no romance é a hipocrisia entre eles. Ao mesmo tempo em que a babá tem uma relação íntima com a família — ela cuida das pequenas mazelas do cotidiano, como quando as crianças estão doentes —, há um certo limite de proximidade com ela, um distanciamento", disse. "Quando se vive numa solidão extrema você se torna potencialmente em alguém perigoso".

Outro ponto que chama a atenção na obra é o fato de a babá ser francesa e a mãe das crianças, uma imigrante do norte da África que mora em Paris. "Eu quis virar esse discurso do avesso porque, geralmente, a babá é a estrangeira", destacou. "A ideia de que os imigrantes não podem se tornar pessoas bem-sucedidas não faz sentido."

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A polêmica obra, que vendeu mais de 600.000 exemplares só na França, deixou muita gente chocada com a temática. Mas ela disse não se incomodar com a reação, por vezes, crítica de alguns leitores. "A literatura não tem o papel de dar desculpas pra nada, nem pra ninguém, mas tentar entender que, inclusive, cada monstro tem as suas razões."

No debate, Leila contou que a escolha do tema não foi aleatória. Quando decidiu se tornar escritora, ela passou a entrevistar babás para cuidar de seu filho mais velho, enquanto se dedicava à escrita. Foi na conversa com uma das candidatas que ela se deu conta da violência sofrida por aquelas mulheres.

"Uma filipina me disse que tinha um filho de 19 anos, mas não o via há uma década. Percebi que estava contratando uma mulher para cuidar do meu, enquanto ela não tinha a oportunidade de cuidar do dela", afirmou.

Para assistir a conversa completa, acesse o vídeo no Facebook.

Fotos: Mariana Pekin / Editora Planeta

publicado em 02/08/2018

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