Mensagem do Presidente da República em ocasião do centenário do armistício de 1918 [fr]

Mensagem do Presidente da República
Em ocasião do centenário do armistício de 1918
11 de novembro de 2018

Um século.

Um século que o Armistício de 11 de novembro de 1918 veio colocar um fim aos combates fratricidas da Primeira Guerra Mundial.

A este interminável confronto nação contra nação, povo contra povo. Com suas trincheiras cheias de lama, de sangue e de lágrimas. Suas tempestades de fogo e de aço que retumbavam todo o tempo e rasgavam os céus mais calmos. Seus campos de batalha estripados e a morte, onipresente.

No dia 11 de novembro de 1918, um grande suspiro de alívio atravessa a França. Desde Compiègne, onde o Armistício foi assinado ao amanhecer, ele se propaga até os campos de batalha.

Enfim, após quatro intermináveis anos de barulho e de furor, de noite e de terror, as armas se calam no front ocidental.

Enfim, o ruído funesto dos canhões dá lugar ao clamor alegre que se levanta dos rebanhos de sinos em toques de clarim, de esplanadas de grandes cidades em lugares de vilarejos.

Por todos os lugares, se celebra com orgulho a vitória da França e de seus aliados. Nossos poilus não combateram por nada; eles não foram mortos em vão: a pátria foi salva, a paz, enfim, vai voltar!

Mas, por todos lugares, também, constatamos a perda e enfrentamos ainda mais luto: aqui, um filho chora por seu pai; ali, um pai chora por seu filho: lá, como em outras partes, uma viúva chora por seu marido. E por todos lugares, se vê desfilar cortejos de mutilados e de rostos destroçados.

Francesas, franceses, em cada uma de nossas cidades e em cada um de nossos vilarejos, francesas e franceses de todas as gerações e de todos horizontes, nós estamos aqui reunidos neste 11 de novembro.

Para comemorar a Vitória. E também para celebrar a Paz.

Estamos reunidos em nossas comunas, em frente aos monumentos aos nossos mortos, para homenagear e afirmar nosso reconhecimento a todos aqueles que nos defenderam ontem, e também aos que nos defendem hoje, até o sacrifício de suas vidas.

Nos lembramos de nossos poilus, mortos pela França. De nossos civis, dos quais muitos também perderam a vida. De nossos soldados marcados para sempre em sua carne e em seu espírito. De nossos vilarejos destruídos, de nossas cidades devastadas.

Nos lembramos também do sofrimento e da honra de todos aqueles que deixaram sua terra vindos da África, do Pacífico e da América, sob este solo da França que eles nunca haviam visto, e que, contudo, o defenderam valentemente.

Nos lembramos do sofrimento e da honra de 10 milhões de combatentes de todos os países que foram enviados a estes combates terríveis.

Franceses, franceses, nós estamos aqui unidos neste dia na consciência de nossa história e na recusa de sua repetição.

Pois esse século que nos separa de terríveis sacrifícios das mulheres e dos homens de 14-18 nos ensinou a grande precariedade da Paz.

Nós sabemos com qual força, os nacionalismos, os totalitarismos, podem tirar as democracias e colocar em perigo até mesmo a ideia de civilização.

Nós sabemos com qual celeridade a ordem multilateral pode subitamente colapsar.

Nós sabemos que a Europa unida, forjada em torno da reconciliação entre a França e a Alemanha, é um bem mais frágil que nunca.

Vigilância! Esse é o sentimento que deve nos inspirar a lembrança da aterrorizante hecatombe da Grande Guerra.

Assim, seremos dignos da memória daquelas e daqueles que, há um século, caíram. Assim, seremos dignos do sacrifício daquelas e daqueles que, hoje, fazem que permaneçamos aqui, unidos, como povo livre.

Viva a Europa em paz!

Viva a República!

E viva a França!

publicado em 13/11/2018

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