Os setores econômicos de ponta: um trunfo para a França [fr]

Com um PIB de 2 033,7 bilhões de euros, a França ocupa o 5° lugar no ranking econômico mundial, e o 2° a nível europeu. Estas colocações se amparam nas performances de determinados setores de atividade, símbolos da influência da França no exterior. Em 2012, segundo a revista Fortune – que classifica as empresas com base em seus faturamentos –, 32 empresas francesas figuravam entre as 500 primeiras colocadas.

Os setores econômicos de ponta: um trunfo para a França - JPEGNa França, certos setores econômicos vem se destacando e poderiam impulsionar o crescimento em 2013. Os números da indústria aeronáutica e espacial são, nessa ótica, especialmente notáveis.

O acordo recentemente firmado entre Arianespace e as autoridades australianas, com vistas ao lançamento de dois satélites, demonstra, mais uma vez, a expertise francesa em matéria de satélite.

Na aeronáutica, a Airbus vem se impondo como ator principal – com, em 2012, 588 aeronaves entregues a 89 clientes e 833 vendas. Resultados que lhe permitiram dar continuidade à sua política de contratação, com a criação de 5 000 empregos, sendo a metade na França.

Mas esse setor conta, também, com atores de tamanho intermediário. A empresa Zodiac é especializada em fornecer equipamentos de avião. Já a Safran produz inúmeros equipamentos – em especial, para a Airbus, mas também para a Boeing, a Bombardier, a Embraer, a Sukhoï, etc. O grupo industrial bateu recordes de vendas de motores de avião e helicóptero. No total, esse importante setor gerou, em 2012, um superávit comercial de 20,3 bilhões de euros.

Uma marca no exterior

A França se destaca também, mundo afora, graças aos seus trunfos no âmbito agroalimentar. Sendo o país da gastronomia e do salão internacional da agricultura, a França registra, nesse setor, vendas em crescimento, com um superávit comercial de 11,5 bilhões de euros. No setor leiteiro, Lactalis e Danone ocupam, respectivamente, o 2º e 3º lugares no ranking mundial. Na área de distilados, a Pernod Ricard é a 2ª maior empresa do mundo. Até a cooperativa bretã Triskalia, especializada em aves, entrou no ranking do “Deloitte Technology Fast 50”, um evento criado e organizado pelo escritório Deloitte, um dos maiores escritórios de auditoria e consultoria do mundo.

No setor agrícola, a França bateu o recorde de exportação de sementes e mudas em 2012, com um valor total de 1,2 bilhão de euros, segundo os números publicados pelo Agrupamento nacional interprofissional das sementes e mudas.

O mercado do luxo também vem desafiando a crise, apresentando, em 2012 – pelo 3º ano consecutivo –, um crescimento de dois dígitos. As empresas francesas, como a primeira colocada mundial LVMH ou a Rémy Cointreau, dominam o mercado internacional e vêm apostando, em especial, na Ásia. Mais de 12% da receitas das empresas de luxo francesas são produzidas na China. Em 2020, este mercado será o primeiro colocado mundial, na frente dos Estados Unidos ou do Japão. Na França, o mercado do luxo emprega, hoje, cerca de 100 000 pessoas.

Saúde e tecnologia, setores promissores

A França se destaca, também, no setor da saúde – em especial, graças à Sanofi, um dos maiores laboratórios do mundo. Segundo números da Federação Leem, as indústrias farmacêuticas apresentam um faturamento de 49,52 bilhões de euros e um superávit comercial de 5,34 bilhões de euros. No total, o mercado francês de remédios representa 4,8% do mercado mundial. E o setor não deve parar de crescer nos próximos anos. Os avanços nas técnicas médicas e o desenvolvimento das nanotecnologias poderiam ser os motores da “próxima revolução industrial”.

Aliás, foi nesse setor que a empresa Medtech deu o que falar em 2012. Seu diretor, Bertin Nahum, foi considerado o 4° empresário mais revolucionário do mundo pela revista canadense Discovery Series. Sua empresa concebe, desenvolve e disponibiliza no mercado uma nova geração de tecnologia de assistência aos gestos médico-cirúrgicos.

O setor das tecnologias de ponta se mostra tão importante quanto os demais. Em dezembro do ano passado, o CAC 40 – principal índice de cotação na bolsa de Paris –, cumprimentou a oferta pública inicial da Gemalto. Este líder da segurança digital apresentou em 2012 um faturamento recorde de 2,2 bilhões de euros, além de operações em cerca de cem países, e mais de 10 000 funcionários – dentre os quais, 1 500 engenheiros na área de pesquisa e desenvolvimento. O setor dispõe de um grande potencial de contratação, segundo o Ministério da Economia, que estima que 450 000 empregos serão criados no setor, daqui até 2015.

Barbara Leblanc

publicado em 31/03/2014

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